Canela de Verso e Prosa Pela Estrada


!

Aconteceu o acontecido. Bem de súbito, assim imprevisto distraído. Regressei à Ipanema. Desci do ônibus vermelhinho, calçando apenas as havaianas, no ponto do grande lago arborizado, cruzei as pistas, atravessei reto toda a calçada da bossa. Lá, logo ali, bem aqui, aonde já fora acolá, deitei o andar pela areia, despindo para a brisa do mar. Tudo assim, bem assado de tanto sol enluarado parecia me saudar com as ondas cantarolantes: Welcome back, Poeta.

Aonde foi que te traí, minha terra? Do que queria eu me perder de ti? O que assim ainda mais te encontrei em mim? Nem sabia da saudade da tua orla sem beira, de teu ventre azulzinho cheio de cama para poente e nascente... Ainda assim peguei um pouquinho de estrada, dessa vez sem mais traição. Cansei de viver dualizada. Voltei cheia de brilho nos olhos, exaltanto tua beleza, declarando amor às tuas esquinas... querendo mergulhar no teu samba-canção...



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 11h25
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A folia de fora, o compasso de dentro

Boitatá com Teresa Cristina, Jongo da Serrinha e Mariana Baltar é das folias que não tem preço, coçam os pés, vibram por fora e por dentro, a fantasia é carnaval. Necessária alguma disciplina para acordar cedo, pegar ônibus até a Praça XV. E muita indisciplina para sol e cerveja, sambar e rolar. Mas "em todo samba que faço tem espaço eu ponho o mar", há algo muito além da folia, do desejo ou da disposição, há esse gosto inato por alegria na rua... e esse tempo do mundo caduco que esquece as máscaras da maldade para vestir as da fantasia. Quem é da terra bem sabe, convém a sereia abençoar a evolução. Quem vai ao passo não mascara, faz bem harmonia para fluir o compasso. A palavra é graciosidade para o rebolado da vida real.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 20h32
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Do amor e da alma

 À Lua Crescente M. e o Pequeno Príncipe P.,

Longe é coisa que não existe aonde reina o amor. Da saudade que sinto, os levo em mim como eternas companhias, preciosidades apertáveis presente da vida, amigos de alma, filhos de coração... anjinhos disfarçados, daqui da minha Terra do Sempre, amanhecer com suas vozes me fez lembrar que existir é abençoado. Há na grandeza do céu cheio de estrelas o brilho dos seus olhares no brilho do olhar meu. Esse amor vai comigo por toda a jornada... e se não posso acompanhá-los crescer presencialmente, irei sempre em oração atemporalmente. Pois aonde quer que eu esteja, meu amor estará com vocês... essa é a magia de tudo que é sagrado, como vocês.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 20h26
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Afirmativa da Localização

Agora sim, tempo novo que me chega,

posso delinear-te com o melhor do peito

depois de despir-me das ilusões.

Veja como sou tão levinha...

só eu sei dos mapas do meu caminho,

não te enciume por onde já andei.

 

Minhas pedras deixei no abismo,

minha língua afiada destilei,

para restar apenas a açucarada

que deita nua as poesias

e te amanhece revigorado.

 

Agora sim, bem dos meus dias,

posso ir à ti sem ser arredia,

posso te sentir nortearndo todos os meus lados.

Aonde estou?

Em mim.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h52
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Afirmativa das Negativas, Localização - 2

Não, nem faça tal tentativa, querido,

não me encontrará nas prateleiras

que o povo mais rasteiro deseja

de possuir feito pinga.

 

Uma dose cá feito brincadeira,

outra acolá na boca enferma,

sai pra lá, com sua saliva azeda,

não sou o que fareja.

 

Veja bem, querido, seu infiel erro...

não me misturo com azeite

não sou a droga do seu deleite.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h26
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Afirmativa das Negativas, Localização - 1

Não, querido, não estou na feira

pendurada entre os cachos de banana,

desfilando entre melancias,

exaltada a bagatela sob sol a pino

- definitivamente não.

 

Nem estou na primeira barraca da esquina,

florescida cortada aguardando o menor preço

para enfeitar tua mesa.

Muito menos lá no fundo entre os peixes

bancando salmão

te vendo comer sardinha

- graças a mim não.

 

Não, querido, não caibo na sua barraquinha,

nem na sacola que desfila como o rei das baratinhas.

Veja bem sua ilusão...

não nasci para ser um mero chuchuzinho

na sua mão.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h18
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Fatual

Acontece que na próxima primavera,

tudo que souber se fazer semeado por agora

mostrará a que veio.

Das sementes todas espalhadas

será justo que só brote

as de um bem verdadeiro,

pois todo o cuidado com o solo de hoje

é pelo amor da colheita.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 10h15
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Bem assim

Há um desatino que me toma o corpo desde criança quando cruzo a fronteira da virada de  um ciclo. Limpo, lavo, faxino todos os meus cantos, mudando os lugares das coisas, declarando aos novos ares a abertura das janelas. Até o momento de ir morar sozinha, tal desatino pintava e bordava no quarto, no armário, nos cadernos de escritos. Depois do alargamento de espaço físico, que já deve ter por volta de três anos, não sei bem a medida, me perco no tempo, a coisa tomou proporções quase divinas e reviro todos os meus cômodos.

Feito aves em seu movimento migratório sou assim dentro de mim. E antes do eclodir dos desatinos, pensamentos e sentimentos são revirados pelos ventos, feito um princípio interno de quem irá partir à novas configurações. Pois bem, acabo de harmonizar tudo por agora. Desta vez foi tão forte, que dores musculares amanheceram no dia seguinte assegurando ter havido na exaustão do corpo a totalização da mudança. De estrada e lugares antes percorridos, nada sobra de pedra sobre pedra ou poeira impregnada. Como disse Cecília Meireles, "aprendi com as primaveras a me deixar cortar e voltar sempre inteira"... sou assim.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 09h47
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"Voltar quase sempre é partir para um outro lugar"

Paulinho da Viola



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 19h17
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