|
|

Lá veio a vida novamente convocando o desenraizamento. Isso hoje já tornara-se de uma leveza livre. Toca o sutil alarme e todas as brisas de dentro afirmam: é hora de ir. Não há dor. Raiz a raiz que se despreende rejuvenesce anos a alma que assim amadurece. Fruto maduro não é para ficar a esmo esperando virar apodrecido, é para dar dos sabores e de seu fundo ser encontrado o que faz renascer. Tudo é cíclico...
Vou crescida feito criança... já não parto pelo o outro... parto, sem grandes bagagens, para e por mim...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 11h38
[ ]
|

Dia desses conto um conto ou destilo metáforas em uma paródia só para contar os sabores e dissabores sobre precisar de calçados rosas para caminhar em um mundo ao contrário. Minhas lentes azuis fazendo a fotografia de tudo a volta andou precisando de um par... por isso o casamento com a simplicidade dos chinelinhos pinks. Há de se salvar a própria doçura para tatear a vida, há de se desvendar saídas absurdas para não se camuflar com os absurdos daninhos que a todo instante se depara... mas, sobretudo, há de se resguardar a subida, o mãos dadas, e o lado a lado, para os que valem e falam a língua do crescer compartilhado.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 19h11
[ ]
|
DECLARAÇÕES EXTRAVIADAS

Hoje te vi no trânsito, dentro de um taxi... com uns vinte anos a mais. Formatado no mesmíssimo estilo, falha no cabelo aonde sempre fora esperado, o olhar caído do velho viajante no tempo. Eu ali, sem perder o hábito ao volante, me vi vinte anos a frente, te vendo.
Dois estranhos emparelhados no sinal vermelho... qualquer um da nossa época diria impossível. Você desligado nos seus próprios atarefamentos no banco de trás, eu procurando desesperadamente vestígios do que nos identificasse: aquilo que parecia incansável admiração minha pelo seu suposto indestrutível encantamento. Nada. Imediatamente reveio a dor sentida de quando te vi por dentro no tempo em que vi. Aquela dor que nenhum outro me faria sentir, e talvez só por isso tenha ocorrido exatamente com você. A dor estava mais uma vez a um passo de me devorar, meus olhos ainda mais espichados na voracidade de achar alguma particularidade bonita sua, daquelas que sempre me fizeram sorrir ao ver... quando o sinal abriu. Eu retomei o movimento deixando o rastro da pergunta: a gente se perdeu a um passo de se achar, ou a gente se encontrou para se perder?
No sinal seguinte eu já era pura asia. Te reconhecer como um estranho me é das possibilidades mais indigestas, embora da ordem do previsível devido ao rumo escolhido das cronologias. Talvez se a vida pudesse ser um pouquinho mais imprevisível... talvez se você não tivesse aberto mão das características da sua condução para escolher um taxi... e tantos outros talvezes talvez não me bifurcariam de ti pelo caminho. Mas o fato é que o contador dessa história jamais deixará de ser o tempo...
E se eu hoje extravio declarações aqui, é pela necessidade do desabafo das palavras acovardadas dos olhos nos olhos. Você, se em algum momento chegasse a esse texto, talvez não visse que você é você... ou se pudesse existir ainda aí algum conhecimento real de mim, talvez ficasse com uma pulga atrás da orelha. O engraçado, agora para te divertir, é que um outro, se viesse a ler, ficaria confuso se supondo você. E você, se tentasse adivinhar esse outro, provavelmente erraria. Também poderiam haver outros outros fazendo um transtorno confissional em elocubrações a respeito de si como estranhos em minha vida vinte anos a frente, mas isso não me faz a menor importância. A verdade é que escrevo unicamente de você... enquanto você se fantasia de suposição do impossível.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 01h16
[ ]
|

Limite interno
é o ser gritante mais alto
a ir à máxima do eco...
bate asas!,
vira o volante!,
nem olhe pra baixo,
siga a diante!.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h29
[ ]
|

Acontece que não dá para se fugir do que se é quando ser é uma composição de extremos, tons e sons... preto e branco multicolor em intensa suavidade de suave intensidade. Todo ser tem dos seus enigmas, e a clareza possível é não se fantasiar de segredo. Às vezes amar é apenas se permitir a leitura do outro... outras vezes é possibilitar ao outro a leitura. O mistério pairante parece ser sempre o que fazer com o que se é. E mais uma vez entra o amor em jogo... essa peneira flagrante das vísceras das escolhas...
A priori tudo parece contradição, quando no fundo é coerência... interna.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 13h50
[ ]
|

Poucas coisas são mais gozosas do que burilar palavras ou burilar com palavras. O orgasmo literário vem dessa transa, dessa possibilidade múltipla de construir, desconstruir, transformar, inventar, fazer o que se quer e bem entende, sem restrições de jogos e posições, com a linguagem ou a partir dela.
Que não me levem a sério como linha,
somente na linha a arte.
Para daí sim,
na trança das entrelinhas:
minhas verdades
-óticas, claro.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 10h36
[ ]
|

Passo a limpo as linhas,
quero as palavras bem clarinhas.
Chega de rascunhos...
vamos à vida.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 11h07
[ ]
|

Quantas escolhas calçam um simples passo? Quantas mais mais um? E mais um? E mais um? Matemática abstrata. Lógica alógica. Fundamentalmente necessária. O norte de dentro, a sinalização do prumo do outro ao vento, cada um com seu passo. Compasso? Vai de acordo com os calçados. Essa coisa de escolhas tem me conquistado o pensar faz tempo, quase não dá brechas para alvos outros... pois passa a esquina de uma reflexão aqui, faz a volta de outra acolá, e pronto!, (re)cai bem de novo cá. Escolhas tem me sido as escolhidas para analisar tudo. São essas danadinhas a engrenagem. Talvez bem por isso, para me assegurar que sigo meu caminho dentro da fidelidade jurada ao meu peito, que me dispo passo a passo das meias qualquer coisas que encobrem as meias mentiras ou as meias verdades, que camuflam em nevoeiro a vista da compreensão da mola dos atos. Quanto mais nua, mais clara. Tanto mais sem véu, mais calma e inesperada. Escolha minha... minhas partes. E significando tudo isso, a frase que teima ecoando: antes falhar amando do que por falta de amor. Ops, acho que fiquei pelada.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 07h22
[ ]
|

A pluralidade que me habita é minha marca registrada,
desde a louca impulsiva atirada
até a certinha vazante de matemáticas.
Me resumo muitas e só uma,
sou e não sou nada disso...
Deixo minhas verdades sempre ditas
revezando linha e entrelinha
compondo palavra, silêncio, olhar e ato.
Vez em quando me complico,
foco, desfoco, troco o tom, altero o compasso,
mas por base sou bem clara, forte e frágil,
passível de ensolação ou tempestade,
em meus eus completa
na coerência misteriosa dos próprios passos.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 15h26
[ ]
|

Nada nessa vida é capaz de explicar ou teorizar as dimensões do amor incondicional, a máxima do sentimento de amor, um elo que transpassa tempo, distância, sangue e até mesmo alma... o maior de todos os laços, aquilo que se pode chamar de verdadeiro. Fui uma menina calma e ao mesmo tempo arteira, regada de poética nos olhos, devota a amar desde o berço. Mas foi já grande, que fui ser tocada e tocar as esferas tanto além dessa coisa de amor incondicional. Duas crianças de outra terra me entraram vida adentro, uma Princesa e um Príncipe, uma poesia e um canto. A vida retirou a possibilidade de acompanhá-los crescer fisicamente... mas o amor reina intocável, a saudade chega a me trazer seus olhos, cheiro, vozes... Dei-lhes de presente tudo de maior em sentimento que me despertaram... brincamos de contar histórias, fizemos bagunça na roça, trocamos flores, ajudei a escolher escola, assisti apresentação de dança, ganhei papai noel, ajudei nos primeiros números e letras, vimos filmes juntos, dei primeiro caderno de escritos, levei estrelas para serem coladas em seus tetos, muito abraço, muito beijo, muito olhos nos olhos e sorrisos compartilhados, tantas conversas e explicações sobre o mundo, tanta vivência plena e amor sem barreiras. Difícil ter de freiar o impulso da permanência... livros me trazem eles, gestos infantis, caleidoscópios, céu com estrela, flores, até mesmo coisas miudinhas despertam lembranças... e ter tudo isso desperto é ter muito perto o amor inabalável. Acabo de receber uma mensagem de texto da menina que tanto se parece com a menina que fui, essa que especialmente sempre chamei de Princesa e que me ensinou em um poente na roça o movimento de fadinha... a mensagem desejava boa noite... e amor novamente me transbordou... veio essa vontade de escrever a quem quer que me leia:
Boa Noite, Bom Dia, Boa Vida... O amor é sempre o melhor caminho.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 21h13
[ ]
|
 |
| [ ...passos anteriores... ] |
|
 |
|
 |