Canela de Verso e Prosa Pela Estrada


Às vezes é melhor abortar... uma história, um caminho, planos velhos ou mesmo anúncio de carícia. Dar uma de homicida da própria sorte ou azar, acabar assim sendo um tanto suicida, deixando uma ligação pela metade, um toque para mais tarde já pré-avisado do não acontecer. Poderia? É essa coisa de já ter conhecimento de si, já colecionar aos montes uns tantos de momentos vividos. É uma escolha, direta e torta, certa e tosca. Abortar... fantasias de possibilidades já não cabem entre minhas palavras flutuantes na caneca. Essa caneca boêmia de vida, que bebeu Vinícius prematura, e gesta versos sempre impulsivos. Mergulhar só vale de igual, junto. Aprendi a abortar a meninice. Fiquei dez anos mais jovem e os mesmos dez envelhecida. Não perdi nem um quê de atitude, mas se chego perto, bem perto, e só encontro umbigo, aborto, sem a mesma dó que o umbigo não nota. Para ser a favor da vida, principalmente a minha, desenvolvi táticas de aborto. Aborto tudo que não me alimenta ou que não fala no afeto... e exatamente por isso, jamais abortaria um filho ou deixaria de parir uma poesia.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 22h36
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"... eu já posto em meu lugar..."

Já não é de hoje que digo funcionar o tempo por entre blocos e lacunas, coisas que se suspendem para outras evoluírem ou se esgotarem, para então ser reposto, retornar à vivência, se abrir ou se fechar, para tornar ao seguimento, a ser suspenso ou ficar para ficar. Uma brincadeira superior da vida, tendo o sentido descortinado no espaço seguinte, um vencer as etapas de um jogo, ir à nova fase. E nos entrelugares desses tempos em tempos, parece que de repente a gente se pega se vendo bem lá no fundo, olhos nos olhos de dentro... não é abismo, é encontro de si. Um recolocar-se de repente, se conhecendo um tantinho mais, resignificando o próprio tempo. De repente em uma semana, tudo feito um pé de vento acontece no interior. Jamais me vi tanto de mãos dadas como ultimamente, essas mãos são somente minhas. Jamais me vi com tanta entrega gerundiando o indo... e de repente uma força danada me faz seletiva com atitudes, é clara para as escolhas, renuncia o que não encaixa, aposta no que sintoniza. A coragem para trilhar o caminho de si é a única segurança realmente possível... o resto a gente cria ou reinventa, deixa para a vida talvez dar algum presente. 



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 00h14
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Ai, essa paz irremediável. Esse falar macio com os olhos através do sorriso. Essa constância de querer, de ouvir no silêncio a leveza, e traduzir no toque todas as palavras. Ai, essa inevitabilidade do envolvimento. Esse impulso contínuo ao doar afeto, essa entrega em fazer-se alimento. Essa calma que entorna cheiando a maré de dentro. O permitir descobrir-se no outro me pega pela mão e leva. Abraça e acorda o tempo novo, adormece os contra-tempos. Há esse imenso agradecer em me ver através desses olhos, em tudo se converter a calma, e seguir de doçura aprendendo. Acontece essa espera suspirosa. Acontece o reconhecimento da beleza do encontro... e essa força cheia de vontades de ir mais além.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 17h53
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"Seu pano está aí. Já tem todos os rabiscos. Agora é fazer a costura, escolher as linhas."

Um bem querer doce e quente, falante na mesma língua, entendido nos mesmos sentidos. Com esse acolhimento ímpar de um toque de voz trazer instantaneamente todo o afeto tocável e já tocado. A alegria viva na voz, no contato, no reencontrar-se... esse ensolarar por dentro no fazer a ponte. Essa emoção danada que faz tremer por dentro feito criança na escola. O elegível entre almas. Um procurar e receber a mão como quem sempre a mantivera ali a espera do tempo. Graças a Deus, meu Deus, isso existe na vida!



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 23h12
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Vem um vento. Não são folhas que balançam, são árvores mudando de lugar.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 23h26
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"Só posso jurar dizer a minha verdade (...) Não posso renunciar a minha imaginação"

"A memória fixa a constância"

(Augusto Boal)

"Se és um escritor, faz disso uma história. O fim de um imaginário é o início de outro. É a estrada"

(Antonio Torres)

 

COSTURAS DE UMA FESTA LITERÁRIA

Equilibrar-se nas pedras do centro histórico de Paraty é sempre um achar-se.  Começar de uns tropeços para encontrar um jeitinho próprio para a caminhada. Ganhar confiança e ritmo. Erguer os olhos e seguir a diante. Para bons entendedores meio dedo de prosa ou mesmo um anúncio de encontro de verso já basta. Festa Literária é um sair das durezas do asfalto com concreto e mergulhar nas tonalidades de um universo paralelo, muito mais voraz e saboroso, aonde encontro de esquinas pode ser aquela dose de cachaça que faltava para tomar coragem.

Tem um calor que ensolara e um frio convidativo aos abraços. Abraçar, quando se tem poesia na língua, é acolher... ensolarar, confere a possibilidade de admirar as sementes do outro e permitir que as suas sejam encontradas. Assim, parece mesmo um universo paralelo, uma comunidade de jardins... quando a vida poderia ser dessa costura. Esse é o ponto, aquele banquinho da praça, aonde a gente se acha, aonde a hora marcada é agora e agora é toda hora, e se dá as mãos à literatura, sai caminhando serelepe a beber poesia.

Só quero ser aquilo que encontro de mim nessas andanças, todo o resto já não me basta. Se vou ser o punho da caneta, o papel, o personagem, ou a métrica poética... bom, esse livro a vida escreve.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h08
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 Para quem desde pequena é conhecida pela natureza do ir e pronto, já começo logo dizendo: estou indo, ou vôo chegando. Talvez a olhos vistos não seja miúda, mas por vezes levo o coração apertadinho entre as mãos. Se vou por porto ou expectativas? Não há mistério nisso. Somente alquimia de dentro, aprendi a não ser afobada nem ter esperas... vou simplesmente porque careço sempre de movimento. Gosto da coisa de ser dona do próprio volante, mas quando a vida me faz passageira, respeito o tempo. Já passei alguns só observando da janela, e foi o suficiente para quebrar minhas paredes. Se algum dia o coração me levar de encontro à uma porta, seria feliz se a encontrasse inteiramente aberta.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 13h13
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Todo ser é música.

Cada passo, uma nota.

Um encontro, um acorde.

Todo ser é múltiplo,

em seu plural, único.

Eu, por exemplo, tenho vícios:

de ir ao par feito aguardente,

de admirar atitude feito fome,

de ser querência de poesia.

E quando teimo, teimo,

os dedos dançam no repeat.

Posso te cantar uns versos,

posso ainda querer dos sons

a chamada do seu universo.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h57
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