Canela de Verso e Prosa Pela Estrada


FLAGRA

Poeta foi vista nesta manhã de sexta feira caminhando na rua com seus óculos escuros. Parecia cantarolar algo consigo, parecia admirar o céu azul. Na mão direita uma sacola com duas garrafas de vinho, na esquerda outra sacola com um pack de cerveja. Da bolsa de pano no ombro, através de suas costas, saía um apanhado de flores, entre elas, rosas, angélica e girassol. A dualidade que sempre lhe fora característica, flagrada assim distraída chama atenção ao mistério: o que acontece por agora em seu universo, o que revelarão seus próximos versos?



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h53
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 Questiono tudo aquilo ou todo aquele que tem por hábito se supor rigidamente sempre encontrado. Essa é das vestimentas mais ilusórias para se sair por aí andando. Apenas ir de encontro já é a mola. Se encontrar é móvel. Arte é movimentar aquilo que de si se encontra. Se atritar dentro dos próprios encontros. Somar o aprendido nos desencontros. Acontecer para cada todo santo dia. Se escrever, ler, reescrever, reler, realocar... se refamiliarizar com os achados lugares novos.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 17h43
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Fator Equatorial

Entre meridianos desejosos

e paralelos de saliva e olhos,

simples fica a tira-teima:

sendo a palavra troca,

muito a cima entorna

e nada abaixo basta.

Incerto ir de encontro

à medidas certas.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 02h40
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 São sutilezas bem miúdas que transformam o valor das coisas.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 20h00
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"Leve o mundo que eu vou já"

O envelope ofício. Os papéis dentro. As assinaturas repetidas tantas no mesmo dia. A fila que havia sido de espera, o movimento repentino de ir pegar com as próprias mãos. O envelope ofício. Os papéis dentro. Carimbo-Assinado-Titulado-Liberta. De repente veio crescente uma coisa por dentro, crescia, crescia... uma vontade. O peito pulando, o sorriso sem pudor alargando e tremendo, as costas desanuviando, o corpo parecia espichando, uma alegria incontida engrandecendo e expandindo como se tudo fosse pluma. E a vontade desatinada só crescia, crescia, crescia... me entreguei por completo a ela: me abracei. Sim, me abracei. Forte, apertado, longamente, me palpando, respirando e sorrindo. Me abracei mais. Olhei a paisagem a volta que por tempos tantos me cerrara árida, toda arborizada. Limpa. A força toda fora minha... os aprendizados, os suores e as transformações também. Me abracei mais, era preciso saudar o caminho. Leve. Pulei feito criança. Sorria aos ares novos de tudo me rodeando. O envelope ofício, os papéis dentro, a minha assinatura, a vontade, o cumprir-se. No meio do meu abraço pude mapear os sentidos dos anúncios, o ar novo, o olhar outro. Na pulsação compreendia. Chegada a hora. Abracei mais, repetindo: voa, voa, voa alto, céu aberto, pouso certo espera.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 17h42
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Desses Aprendizados Tatuados Pelas Vivências dos Sentidos

#A vida trança e alinhava, deixa sempre na entrelinha o mapa da costura. Cada costura é única, cabe a cada um se abrir ao encontro de dentro, e ser íntegro com a própria tecelagem.

#O fio condutor é aquilo de genuíno pulsante que alimenta e faz o existir vivo. Há de ser respeitado e ouvido. Formatos, regras e convenções muitas vezes encarceram, e nessa carceragem de ilusões e enganos se fica só e perdido do fio.

#A cada um cabe o conhecimento de si. A querência de tempos melhores se faz fluir no agora, cada um em seu espaço é capaz de construir. Ter as rédeas da vida me parece simplesmente estar em paz com as próprias atitudes, as atitudes do outro são de responsabilidade do outro, dentro do espaço, tempo e integridade dele. Expectativas externas são amarras, respeitar a individualidade dos tons brota calma. Somente assim o dar as mãos pode vir a ser uma parceria de crescimento.

#Não há controle. É preciso ser livre para ser tocado pela beleza dos encontros. Tudo tem seu tempo. Permitir ir, permitir chegar, escolher o que encontra, desescolher o que desencontra, é ser fiel a si.

#Toda vez que bate um vazio, é um vento dando o aviso de que não se está coerente com a natureza e o tempo presente.

#Toda vez que transborda um preenchimento, é um céu limpo ensolarado afirmando se estar certo na estrada.

#Viver é para ser um jardim, cada um com suas sementes, cada um com sua jardinagem. A maior parte dos sofrimentos humanos são frutos da coerção, do controle, do desrespeito. Cultivar bem-estar é abrir mão dessas amarras. Cultivar bem-querer é reconhecer e cativar a flor do outro.

#Caminhar junto é fluir ao lado, é poesia a quatro mãos entre fios genuínos, que não se enroscam nem se farpam, mas sim se iluminam.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 11h23
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Hoje faz aniversário uma Princesa. Um dos maiores presentes que a vida já me entregou comemora 11 anos de idade. Mari é das delicadezas mais nobres, tem os olhos redondos brilhantes, leva poesia nos dedos, dança feito uma fadinha. Me ensinara esferas maiores de amor, e a fotografar a tonalidade das flores. Tem um irmão Pequeno Príncipe e a história de nós três é toda permeada pelos significados desse livro. Não nasceram de mim, mas os levo como se vivessem sempre aqui dentro. Hoje a geografia me impossibilita de abraçar fisicamente esse tesourinho. E venho aqui pensando formas de poder ser-lhes mais presente. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", é das frases mais sábias, e é preciso vivência para compreendê-la... e a aniversariante de hoje parece ter entrado em meu mundo para que eu sempre saiba, e leve dentro de mim a importância da compreensão dos sentidos da flor. Como dar a Mari toda a beleza que merece? Vem dela o dom do cultivo, a graciosidade do sorriso verdadeiro que se abre feito pétala a pétala. Hoje eu queria saber tanto mais sobre jardinagem de vida, para dar-lhe a certeza de que terá em mim o que tão bem me ensinara a ser: amor incondicional.

Mari,

Longe é um lugar que não existe, perto é ter na gente as sementes da amizade e do carinho. Sua flor eu guardo sempre regada aqui dentro... que a minha te seja sempre presente, aí dentro. Obrigada por existir, pode até parecer não dar para ver... mas perto, bem perto de ti, eu sigo sempre... com o mesmo amor com todas as estrelas do céu, com a mesma arte do florescimento.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h01
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Chamei um gênio, pré-aqueci as mãos... mas de repente, foi bem aqui dentro que senti acesa a lâmpada.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 23h31
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Sem pudores equilibrista,

quando a vida inventa

de ser tempo zero,

não deixa pedra sobre pedra,

funde, transpassa, arrebenta ou subverte.

Se despreende sem reservas,

faz outro seu leito de rio,

encontra outras terras.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 23h25
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