# Vai que um dia, assim feito absoluto milagre, os que sofrem de complexo de inferioridade, bem como os tomados por complexo de superioridade, surtam uma cura de suas rasantes complexidades?! Eles acreditariam? Ah... terra nova prometida tanto adiada... esses complexos jamais são isolados, quem é moeda tem sempre dos dois lados, por isso a vida anda inflacionada no mercado.
# Algumas pessoas brincam de detetives. Buscam por trás do escrito o passo a passo da vida arroz-feijão-caipirinha do escritor. Mas será o Benedito? Engano gozadamente Maledito. O que não querem ver escrito por seus umbigos?
# Piada é uma graça triste. Nessa vida se aprende a gargalhar dos vícios do vizinho, quando o espelho mascara seus labirintos.
# Repetiria o sempre dito a sábia velhinha: Amigos, minha filha, de verdade são raros. Mas foi o tempo mesmo quem ensinara: comportamentos revelam o ser que cada um cultiva dentro, palavras não se sustentam na falta de transparência ou no falseamento dos atos.
# A pior doença humana? Nenhum mal físico consegue ser tão devastador ou mais metastático do que um mal psíquico. Todos tem dos seus sofrimentos, crescer é aprender de alquimia. Mas aquele que já fora tripudiado, traído, abandonado, humilhado, ou alvo de tantos outros comportamentos baixos por um outro, e incorpora essas atitudes como forma de sobrevivência na selva, e passa a relacionar-se reproduzindo à quem lhe oferece afeto os espinhos que já o feriram... ficam pendurados no soro das farpas, colhem em seu jardim de cactos.
# Quando uma peneira funila a existência, há um bem imenso nisso, embora não desdoído... só se colhe o que vale, e aonde o bem realmente não encontra semelhante, ceifa o tempo; quem não sabe de permanência na beleza da jardinagem, feito erva daninha, que se extráia, e vá pedir do céu um raio.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 15h48
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Reta Incerta
Chore quando for essa a vontade. O impedir lágrima jamais tornou um ser humano mais forte. Apenas não se abandone nelas. E, sim, lembra... são sentimentos diversos que águam os olhos, chorar de rir ou chorar ao receber acolhimento, são lágrimas curativas nessa vida. Quem nunca quis ser amado atire a primeira pedra. Quantas pedras rolarem verdadeiramente sequer importam... basta acreditar que pedras não te acertam, te polem. Se puder, esvazie ao máximo sua mala delas. Atire pétalas. Se compreender que tudo é incerto e a medida do verdadeiro está na semente cultivada, e em seu ato, já será o suficiente leve. Despertar por dentro dá um senhor trabalho, águas são necessárias sobre a terra; romper velhos vasos abre o espaço das possibilidades, embora envolva coragem. Mas, a cima de tudo... sorria, se abra feito pétalas.
De si
liberte-se.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 21h13
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Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 19h16
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Tempo de resoluções. Internas e externas. Fato, avisaram os astros: mudariam os lugares. Verdade, desenrolam-se pelo fio equilibrista, um tanto de descobertas, mais um tanto de novos significados. Por dentro, essa busca inesgotável do porto da paz. Por fora, um sair da margem, ir no fluxo das águas. Nada estagna, tudo transmuta. Não há linearidade alguma no tempo, sequer me iludo. O tempo é feito no presente. Alquimia voraz.
Setembro traz
descobertas pré-primavera.
Em setembro jaz
outono e inverno.
Reacordar para flores
por caminhos abertos
em novos valores
para a colheita.
Agradeço amores...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 15h06
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Mais um dedinho para contar as primaveras ganha hoje Pedro. Conheci esse Principezinho tão alegre com uma borboleta amarela de papel na mão, voando, ameaçando pousar na minha cabeça. Esse primeiro encontro foi apenas o anúncio... tantas flores colhidas na hora ganhei desse mocinho (e todas guardadas dentro do caderno com poesias), tantas arteirices gostosas de rir junto, e uma doçura imensurável em me receber de braços abertos. Fato inalterável, ele e sua irmã, a Princesa Mari, pousaram dentro de mim... e assim os guardo, e envio a todo momento amor em meus pensamentos.
Há pouco, ouvi sua voz... liguei para dar os parabéns e ganhei uma série de prosas gostosas de ouvir sobre seu crescimento, sobre aprender a juntar as letrinhas e percepções sobre o mundo a volta... mais o jeitinho especial de com seu sotaque pronunciar Cris. "O essencial é invisível aos olhos", está lá escrito no Pequeno Príncipe. Isso me enche de alegria... ter o coração habitado por um Príncipe e uma Princesa, que ensinam sempre ser o amor o jardineiro do jardim.
Logo após a ligação, mensagem do melhor amigo dos tempos de criança... seu filho nasce hoje. E uma fé com um bem-estar cheio de bem-querer me tomaram. Quando éramos adolescentes brincávamos de que seríamos da mesma família se nossos filhos se casassem, e assim poderíamos contar histórias para os mesmos netos. Hoje sei que laço de sangue não é preciso. Pedro e Mari me ensinaram essa verdade, é o sentimento que vale. O tempo acerta no que nos oferece... Que saibamos cuidar o presente, é sagrado o que nos engrandece...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 10h53
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Para libertar da dor:
tirar do banho-maria
o viver em espera,
quebrar todos os vidros
do silêncio das palavras temerosas,
tomar banho de rio em reza
pedindo, faz rimar sem dor.
Amor não é poesia ociosa,
validar é versar com fé.
Entrego...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 22h22
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Entre-Calos-Incaláveis 1
"O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto no final da frase.
Foi capaz de modificar a tarde
botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou:
Meu filho, você vai ser poeta.
Vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas
peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos."
(Manoel de Barros)
Raro Poeta, Caro Manoel,
Essa coisa de ser poesia requer um caminhar entre calos em brasas, fazer um sapato macio de versos, ou mesmo purgar palavras até que tudo de indigesto posto a fora se equilibre no papel. Há um suor no lavar os olhos pela incapacidade vunerável de não suportar aceitar pedra como pedra, somente pedra, amém à Adélia. Drummondiando um tantinho, acho ser essa a minha pedra, e não tenho intuito algum de tirá-la do caminho, prefiro a fazer montanha e olhar o mundo do alto dela.
Eis minha peneira cheia d´água, vazante mesmo além da conta, confesso. Minha cruz e meu deus que salva. Sim... minha peraltagem gosta da entrelinha, burila, tagarela. Difícil mesmo é compreender aqueles de peneira sem tela, buraco vasto e profundo que tudo traga, é bruto e se perde. Águo tanto assim talvez por uma intensa inadequação, um não saber de toque sem ternura, vida em sobrevida sem duo, troca, entrega. De vez em quando, verdade, me furo, ou permito que me furem... e isso me joga no mar do renascimento, me obriga a olhar a volta com lupa, achar os vazios, migrar à desobstruções dos pontos.
Toda vez que o escrever silencia, vou de cara ao desencontro, nenhum sentido me fala, e o despropósito faz-se um proposital aviso. O pertencer grita feito verbo caro e raro. Mas a coragem ainda é o suficiente... meus calos tateiam novos lugares, subvertem os sentidos, transgridem os significados. Posso passar a vida inteira assim, aceito. E não haverá santo ou diabo que tirem da minha menina a bala mais gostosa e arteira de acreditar ser amável.
Obrigada por, feito Papai Noel, me lembrar que viver não precisa ser chuva e barro...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 16h56
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Vos apresento a filha tanto gestada: FLÔ
Flô a vista grossa é um fantoche de uma marca de chocolates. Cabelos negros, compridos e trançados. Vestido vermelho, olhinhos azuis e um sorriso irretirável. Quando me viera, feito presente displicente, foi amor à primeira vista. Eu, que por tempos escrevi a Menina na Janela, e a retirei do ar para caminhar na estrada, ao vestir Flô foi carinho de luva! A gestação ocorreu toda em segredo, um recriar-me no lúdico afetuoso e um tanto engraçado. Toda a minha meninice é tagarelada por esta pequena que me casa... e agora, essa arteira presença tão cheia de vida, tomou forma própria.
Durante um período de propensões a chuvas e tempestades, de recolhimento e reelaboração de dentro, mergulhei em livros na busca de sentidos maiores. Em algum deles me deparei com o termo "segunda infância com consciência", aonde a leveza para as vivências é alcançada na compreensão da própria história, e o refletir leva ao despreendimento do peso do passado, podendo transformar o agora em uma escolha de viver diferente. Um ser criança de novo se sabendo gente grande.
Flô parece ter bela representação nesse processo, e caminha de mãos dadas com uma série de descobertas que me identificam e me espelham no que mais me tange a essência. Está por agora cantarolante, serelepe...
- Mãe, é bonito como música, e simples, simples, simples! Eu acho que você tem mesmo que ser assim, tortinha e parecida comigo, pular bastante de alegria. Obrigada, mãe, Flô é o nome mais bonito! Ah... mãe, como é gostoso brincar de viver a vida contigo...
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 11h47
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Que lugar melhor seria para colher jasmins além do pouso dos olhos nos olhos? Sabedoria de sabiá, bem querer de bem-te-vi. Ver jasmim, cheirar olhar, querer bem. A coragem é bem-vinda, a atitude é prumo do tempo. Realizar é verbo somente conjugado pelos que acreditam no que levam dentro.
Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 22h33
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"I can´t take my mind of(f)..."
Dizer não às circunstâncias certas vezes é dizer sim a si mesmo. Talvez por excesso de sentir que não se diz nem se justifica, simplesmente acontecera acontecendo. Quem conhece um tanto de si que sabe da impossibilidade de se desligar do que já fora tatuado na pele, daquilo que aprendido não se apaga. Também não há o menor pudor em se afirmar a esperança do dia em que escrever uma história será algo diferente, o desejo de transgredir e subverter para o próprio bem. Mas como qualquer ser humano na superfície dessa terra, simples à vezes vira palavra difícil quando se é da turma dos intensos, quando se é pego de quatro por todos os sentidos, e ir no pulso escapole do raso e vai ao fundo. Um dia, quem sabe, se chega ao ponto de saber ser mais que o efêmero de um encontro... vai que eu acredito...