Canela de Verso e Prosa Pela Estrada


RISCOS LITORÂNEOS

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Sentado na murada que abraça a orla, um velhinho pescando me convoca os olhos no exato momento em que a vara puxa e o faz recolher o anzol. Curiosidade inata, despudorada, sempre me pega. O que pescara? Acompanho a finura trêmula dos dedos enrugados que se estendem como quem tem a paciência recompensada. Nada. A mão dele pincela o ar, nenhum peixe. Minha curiosidade se debruça ainda mais para fuxicar sua feição. Nada. Ele tem a paz de receber nada com nada.

Não me sai da cabeça aquela imagem do velhinho magro que só, camisa listrada, e uma espera coberta pela paz de um boné no rosto. Será que o tempo consegue ensinar coisa assim a qualquer um? O desafio será dele comigo, ou meu com ele? Imediatamente me recordei como quem se repreende: filtro solar! Como posso ainda esquecer de passá-lo? Um sol desses, o clima, apesar de ameno, árido... um pouco de paz à pele cairia bem às pescarias do mar do tempo.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 19h56
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PROSA STORM

É isso mesmo, feito bebê dei de dormir aconchegando a barriga... sabia, dá um sossego que cala todos os movimentos? Quis planejar uma viagem, colocar o volante na estrada e tais... mas sabe, revisão de francês, prova de espanhol, nó na linguagem e um refrão maldito: time is money. Ah, mas e daí, conhece a frase safada "a fila anda"? Pois bem, que pequenina, melhor fica: a vida anda. Para aonde? Posso dar incontáveis entrelinhas de dicas, mas cá entre nós, feito criança está divertido a tecla não... equivale ao del, que fica logo ali pertinho dos dedos no teclado. Não, não sou do time mundo descartável, mas também não sou das militantes avessas as características da própria geração. Relativismos são fantásticos, e perigosíssimos ao mesmo tempo... fazer o quê? Em tudo há brecha para interpretações, cada qual com suas escolhas.

Verdade, hoje tive um acesso de alergia a pimenta de cheiro quando preparava uma comida com todo o carinho... me tomou com vontade a mão esquerda, olha que ironia. Descobri, tenho uma quedinha por outono; esse céu azul e o clima ameno pimentam-me as vontades. Alguém vai ousar reduzir à bobeira gostar de chamego com balanço de rede? E panela nova, poderia sair da fábrica sem tampa? Ah, bem adolescente, fala sério! Outro dia, um médico, por volta dos seus 70 anos, me comentou com olhos baixos, "remediar com quê? as pessoas hoje estão tão fechadas, indispostas a se relacionarem". Vira e mexe a imagem dele acorda todos os sentidos, e fazer o quê? Me deixo.

Se sou do time dos indispostos? Cá entre os amadurecimentos das idéias, isso é relativo, né não? E é isso mesmo, bem verdade, essa noite não tem jeito. Night? Hã? Que boemia o quê! Fala sério... estou disposta como nunca! Nesse clima ímpar, aconchegando sossego... sentei aqui para colocar uma musiquinha que embale tempo a dentro... casa, outono, línguas de viajar linguagens. Humm... quer achar o fio da meada? Se deixe encontrar, ou escolher, dentro. ;)



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 23h52
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"BE THE LOVE GENERATION"

Toca a mp3. Danço, pulo, faço miséria... entre quatro paredes. Entre quatro paredes, o que era para ser mais difícil descobre-se mais fácil. Intimidade de si. Um ser como dá, só. Ou Saturno resolveu me querer inteirinha em seu retorno à casa, ou, bem clichê mesmo, o mundo está maluco demais para mim. Be the love generation? Alguém por aí também se pergunta o que está acontecendo? O tempo das gerações de caixinhas em encerramento em si mesmas, das desconversas da troca, do excessismo próprio. Eu nesse barco, mais uma prosa introspectiva. Mais um cantar: festa estranha com gente esquisita, eu não tô legal, não aguento mais birita. Dizem que quem sai na chuva é para se molhar. Entre quatro paredes, meu bem, facas somente na cozinha, horripilâncias somente na tv, e uma só mente inquieta, importando mantras.

Be the love generation. Be the love. Love Generation. Could Be? Under my umbrella... Mr. Jones and me, chalálálá... Believe in me, help me believe in anything, cause I wanna be someone who believes. I will survive.



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 12h08
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ENCONTRO DE FALAS NÃO DITAS

O tempo malabariza. Qualquer tentativa de administração interna consigo corre o risco escorragadio de lágrima de palhaço, que ao escorrer provoca risos. Sozinha, cá entre meus botões, pergunto de onde veio essa idéia dos céus de roteirizar minha vida afetiva. Se de uns tempos vivia na borda defensiva, serelepe na bolha, um reencontro revirou todos os medos à tona, anos e anos... por onde eu andei, por onde ele andou, que cronômetro foi esse até o novo (e velho) encontro?

Se conseguisse teria dito à ele: você me dava medo desde pequena, na mesma medida que atraía.

Bem verdade, ele me veio... livre como é, pontual, me tocando os sentidos, ele. Mas bicho humano que sou, esquisitices a parte, de repente me escondi aonde teria mais coragem por hábito; e talvez mesmo pelo hábito conhecido dos precipícios, que inventei um freio, uma retaguarda... aonde o medo era só um sinalzinho: aqui é aonde te combina um mergulho. Ignorâncias do coração selvagem, tão estudado de si, leitor torto das escolhas.

Mas o tempo vai lá, de graça, ou caro que não se saiba, de novo malabariza. Estou longe, longe demais daquela menina de mais de década atrás. Um reencontro, da mesma maneira que acerta nos ponteiros, te acerta em cheio com o que revela. Era outro o medo: o eu é léguas perigoso além que o outro.

Diria a ele, se palavra não me faltasse, agora: vontade de te fazer um carinho.

Bem verdade, talvez tenha dito com os olhos. Mas os malabarismos do tempo não são pacíficos para os que por algum motivo, grande ou pequeno, tentam se resguardar nas margens. A mulher que me tornei, ontem a noite, relendo uma mensagem dele, abortou os últimos vestígios da meninice em que se escondia. Sem imaginar que no dia seguinte seria por ele ao acaso mais uma vez encontrada, fui dormir pensando em como o procuraria, deixando de lado os ransos dos anos e anos andados, por estradas outras, sem saber dele.

Ele... só ele sabe de si por dentro... só eu sei de mim...

Hoje, ali na areia, entre malabarismos me confessei, mas não disse. Entre tantas palavras queria ter-lhe dito: queria deixar o tempo de lado, ainda estaria em tempo? Fica aqui comigo...



Palavras Caminhadas por Cris Ebecken às 21h28
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